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Sublimis, Fiumani


  • Galeria Nicolau Nasoni Lda. 100 Rua do Rosário Porto, Porto, 4050-381 Portugal (mapa)
 
 

Por vezes, raramente, é-nos concedido vislumbrar algo muito maior, muito para além de nós. Uma mudança momentânea de perspetiva que nos retira do quotidiano, quase do próprio corpo, para além do habitual, onde nos deparamos com uma imensidão demasiado vasta para ser contida ou apreendida. Uma experiência do sublime: simultaneamente bela e desorientadora. Nesses momentos, o nosso sentido de nós próprios e da escala é subvertido. Somos lembrados da nossa pequenez e fragilidade, ainda que essa lembrança inspire mais humildade do que medo. Afrouxa os limites do eu e abre-nos a um sentido mais profundo de ligação: com o mundo, com os outros, com a vastidão que nos rodeia.

O latim sublimis evoca o que é elevado, exaltado, transcendente. É aquilo que transcende um limiar, que vai para além. O sublime não pode ser produzido nem comandado, apenas convidado; não pode ser traduzido, apenas sugerido.

Ironicamente, é ao investigar o sublime – o vasto, o grandioso, aquilo que está para além – que a obra de Fiumani encontra maior contenção. A sobrecarga de referências, motivos e cor é cada vez mais enquadrada dentro de formas maiores. Imagens e símbolos aninham-se uns nos outros, formando camadas de sentido que contêm, em vez de eliminar, o seu excesso associativo. O vaso, portador simbólico de memórias e histórias, contém sem encerrar por completo: um recipiente define-se também pela sua capacidade de receber, e pela sua abertura.

Este movimento em direção à contenção torna-se literal numa nova série de obras soldadas em metal. A chapa de aço não é apenas uma superfície a trabalhar, mas uma parte estrutural da própria obra. A soldadura exige intenção, controlo e um envolvimento físico sustentado, em contraste com o fluxo intuitivo da pintura associativa. As obras tornam-se exercícios de canalização do impulso em intenção: dar forma à energia.

Talvez seja também isto que significa aproximarmo-nos do sublime. Depararmo-nos com algo que está para além de nós exige abertura e sensibilidade – uma disponibilidade para nos deixarmos tocar. Mas a abertura sem estrutura torna-se informe. Para convidar a imensidão, precisamos da capacidade de receber e de conter, ainda que por breves instantes, aquilo que nunca poderemos apreender.

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16 de maio

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